A1BA67D6-B7F5-4EE9-B96E-A3C6C6A729C2TIM banca virtual
99BC25CD-9209-40C8-AC3C-7870EBF636C3

Publicado em 23 de fevereiro de 2021

Espera por consultas na rede municipal de saúde do Rio pode ultrapassar dois anos, mostra levantamento

Por causa da pandemia de Covid-19, milhares de exames, cirurgias e consultas foram suspensos para concentrar os recursos humanos e financeiros no enfrentamento ao vírus. Entretanto o custo da suspensão desses procedimentos é alto. O Rio fechou o ano de 2020 com 201.874 pedidos de consultas no Sistema de Regulação (Sisreg) da prefeitura, que cuida de atendimentos de baixa complexidade.

O número de pedidos de consultas não atendidas quase que dobrou em relação ao inícido de 2017, chegando no pico da fila em outubro de 2019, quando 237 mil consultas aguardavam marcação. Com a redução da oferta de atendimentos, consequentimente aumentou também o tempo médio de espera. Um dos maiores gargalos está em consultas oftamológica, como a pediátrica, que pode chegar a mais de dois anos (781 dias) e de glaucoma (648 dias).

Um outro levantamento feito pela prefeitura do Rio e obtido pelo GLOBO mostra que a cidade do Rio fechou o ano de 2020 com 340.551 pessoas na fila do no Sistema de Regulação (Sisreg) aguardando uma cirurgia ou exame. Em relação a 2019, a fila até reduziu em 15 mil pacientes, mas em quatro anos ela mais que dobrou. Em janeiro de 2017, 143 mil pessoas esperavam na fila por uma intervenção cirúrgica ou um exame. Com o cenário que piorou por causa da pandemia, a prefeitura do Rio determinou a retomada de cirurgias eletivas e atividades ambulatoriais em hospitais municipais.

Um paciente, por exemplo, que necessita do exame de "Retinografia Fluorescente" para diagnosticar problemas em sua retina poderá ficar até 636 dias — quase 21 meses — na fila esperando ser chamado para a consulta. Com o cenário que piorou por causa da pandemia, a prefeitura do Rio determinou a retomada de cirurgias eletivas e atividades ambulatoriais em hospitais municipais.

Na atual plataforma de consulta on-line da prefeitura há pacientes que estão com data de pedidos no sistema de antes do ano 2000. Segundo o secretario municipal de Saúde, Daniel Soranz, o atual sistema é pouco transparente. Ele afirma que é preciso realizar uma limpeza nos dados que estão abertos para dar maior previsibilidade ao cidadão.

— Está entre as meta dos 100 dias da nova gestão uma nova plataforma para dar maior previsibilidade para o paciente saber quando será atendido. Mas com a retomada dos exames e das cirurgias eletivas vamos conseguir fazer essa fila andar— explica Soranz.

O secretário já tinha dito que para zerar hoje toda a fila do Sisreg seriam necessários R$ 2,5 bilhões. Com poucos recursos em caixa a prefeitura irá realizar as cirurgias conforme capacidade instalada das unidades e quantitativos físicos e financeiros já previstos nos orçamentos. Segundo a secretaria municipal de Saúde, o paciente receberá uma mensagem de texto por SMS sobre a marcação e será comunicado pela sua equipe de referência da Atenção Primária à Saúde.

Na ocasião, Soranz também contou que uma das suas principais preocupações era com o passivo de pacientes que não foram atendidos por causa da pandemia. Na rede municipal, de dezembro até esta segunda-feira, os procedimentos e cirurgias eletivas estavam suspensas:

— A pandemia é gravíssima, muitos estão morrendo de Covid. Mas foi um ano em que fizemos menos exames de câncer de mama, colo de útero. A fila do sistema de regulação cresceu absurdamente. Hospitais passaram a atender apenas Covid. Há muita pendência de outras doenças. Teremos que correr atrás do orçamento dos governos estadual e federal para outras doenças e equilibrar o máximo possível com a vacinação da Covid-19 — disse na ocasião. — Temos cerca de 450 mil pessoas na fila por exames, atendimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas. No ano passado, deixaram de ser atendidos cerca de 150 mil pacientes. É muita gente. Se colocarmos no papel, para zerar essa fila seriam necessários R$ 2,5 bilhões — acrescentou.

Na resolução que ordenou a retomada das eletivas, Soranz diz que não há justificativa plausível para o fechamento de ambulatórios e a interrupção de procedimentos eletivos para atendimento exclusivo de pessoas com coronavírus. No texto, o secretário justifica o retorno das atividades destacando a redução no número de internações e mortes por Covid-19 na capital, o aumento de todas as filas para procedimentos eletivos, o que, ressalta, pode causar agravamento no quadro destes pacientes, e o fato de que, segundo ele, todos os profissionais de saúde com mais de 60 anos do município já terem sido vacinados.

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar a sua experiência

Para saber mais sobre os cookies que usamos, consulte nossa política de privacidade.