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Publicado em 08 de dezembro de 2021

Surto de influenza: Cidade do Rio abre polo de atendimento, em meio a estoque zerado de vacina contra a gripe

O surto de gripe no município do Rio de Janeiro tem levado dezenas de pessoas , diariamente, a peregrinarem pelas unidades de saúde em busca de atendimento. Atualmente, 14 pessoas estão internadas com a doença na cidade. Na manhã desta quarta-feira, a Secretaria municipal de Saúde abriu um polo de atendimento na Vila Olímpica do Complexo do Alemão, na Zona Norte. Em menos de uma hora mais de 200 pessoas haviam recebido atendimento com sintoma da doença. Uma, em estado crítico, teve que ser removida de ambulância para a UPA do complexo de favelas. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, o estoque de vacinas contra a influenza do estado está zerado.

O gari Carlos Henrique Mota, de 58 anos, é morador da localidade conhecida como Alvorada, no Alemão. Há quase uma semana ele diz estar com muita dor no corpo, febre e tosse. Na manhã desta quarta-feira, acompanhado da mulher, Carlos Henrique foi levado para a Vila Olímpica do Alemão. Sem condições de andar e respirar, ele precisou ser transferido para uma Unidade de Pronto-atendimento.

— Ele não está aguentando respirar e nem andar. Está tossindo e com muita dor no pulmão. Diagnosticaram ele com gripe. Como ele não está bem, estão removendo ele — disse a doméstica Ana Maria Cardoso Barros, de 45 anos, a mulher de Carlos.

A técnica de enfermagem Regina Célia dos Santos Freitas, de 60 anos, mora na localidade da Fazendinha, no Alemão. Há mais de 24 horas sente sintomas de gripe. Na manhã desta quarta, ela procurou atendimento na Clínica da Família Zilda Arnns. Foi orientada a procurar a Vila Esportiva.

— Estou sentindo muita dor. Estou com febre de quase 40 graus e muita tosse. Fui no Zilda Arnns e mandaram eu vim para cá. Esse é descaso total com a saúde da gente — destacou.

O secretário municipal de saúde confirmou que há falta de profissionais de saúde na rede municipal. Soranz afirmou que as unidades de saúde da cidade precisam de pelo menos 360 médicos e outros mil profissionais diversos. Ele diz que a Secretaria de Saúde “abriu um chamamento público para a contratação dos profissionais”.

— Sabemos da falta de médicos. Por isso, abrimos um processo seletivo público para a contratação de 360 médicos e mais mil funcionais - enfermeiros, técnicos e etc. Esses profissionais atuarão pelas Organizações de Saúde (OSs) e pela Rio Saúde — disse o secretário. A Prefeitura do Rio pretende pagar até R$ 32 mil de salário por médico.

Nos últimos dias, pacientes não têm recebido atendimento nas unidades da cidade por falta de profissionais. Na última segunda-feira, uma médica da UPA de Rocha Miranda foi impedida de sair do trabalho. Ela era a única profissional do local.

Soranz esteve no Alemão para acompanhar acompanhar a abertura do primeiro polo de atendimento de gripe na cidade. Ele afirmou que outros quatro serão inaugurados ao longo dos dias. No local os pacientes serão testados e receberão atendimento para gripe e Covid-19.

— (Hoje) São 14 pessoas internadas com influenza A (na cidade). Há três semanas pedimos 400 mil doses da vacina para o Ministério da Saúde. Eles enviaram 200 mil doses da vacina, remanejadas do Espírito Santo, para o estado do Rio. A Secretaria estadual de Saúde repassou para o estado 160 mil doses — disse o médico, que completou: — Esperamos o restante da solicitação para conter o surto de H3N2.

De acordo com Soranz, "o Ministério da Saúde ainda não deu um posicionamento sobre quando essas vacinas chegam".

— A gente sabe que eles estão com um estoque zerado e estão remanejando as doses de outros estados para cá. O Instituto Butantã ofertou para o Governo Federal 3 milhões de doses. Fizemos um contato direto com o Butantan que está avaliando mandar para a gente 300 mil doses. Eles estão avaliando como será a entrega, se via governo federal ou direto para a cidade. Esperamos esse posicionamento o mais rápido possível — declarou ele.

Na manhã desta quarta-feira, a busca por atendimento na UPA de Marechal Hermes, na Zona Norte, é intensa. A estudante Isabela Cirillo, de 18 anos, está com febre, e desde terça-feira buscava atendimento. Com mais de 39 graus de febre, Isabela foi diagnosticada com gripe.

— Eu levei a minha filha lá na UPA de Madureira, chegamos por 20h, e só tinha um médico. Mas a todo momento ele dava prioridade para os pacientes que chegavam com estado mais grave. Nos orientaram para vir aqui em Marechal Hermes agora de manhã — destacou Ana Cirilo, de 42 anos, mãe da estudante.

Após receber atendimento na tenda montada do lado de fora da UPA, Isabela disse que foi diagnóstica com a doença e o médico passou um remédio para ela.

— Eu sinto muita dor no corpo, coriza, febre e dor de cabeça. A médica passou um remédio e disse que é para eu ficar em casa de repouso.

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